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Casas mais antigas de Manaus retratam arquitetura do período colonial.

1 de novembro de 2018
Imagem do projeto

A arquitetura ao redor chama atenção. A Rua Bernardo Ramos parece uma maquete, com residências alinhadas e coloridas. As casas relembram as construções da Manaus “Belle Époque”, um período marcado por luxo e beleza durante seu histórico. Todas as residências da via parecem seguir o mesmo padrão. Mas não todas. Quase no fim desta rua, duas moradias saltam aos olhos. Quem por ali passa nem imagina que, por trás de um tapume de alumínio [por conta da reforma], existem quase dois séculos de história.

E lá estão elas. As casas mais antigas de Manaus. A construção é aparentemente simples, não há tanto luxo. Ao contrário das outras casas, que seguem arquitetura padronizada, as casas 69 e 77 foram construídas com o telhado completamente à mostra.

De acordo com a arquiteta Ana Lúcia Abrahim, essa característica mostra que, antigamente, as famílias mais simples e comuns costumavam construir residências com telhado de barro, sem qualquer fachada além.

“As casinhas mantiveram aquela arquitetura do cotidiano, que é uma arquitetura bem colonial. E é um estilo que nós não temos mais em Manaus, é algo interessante. É pela simplicidade dos moradores. Pela falta de dinheiro, de ficar investindo em um imóvel em que eles apenas moravam. Então, vemos pelos ‘beirais’ do telhado, por exemplo. A telha aparente não existe na arquitetura clássica nem eclética que tem aquela platibanda”, explica Ana Lúcia.

Período colonial representado em forma de construção

Em relação às construções do período colonial, para poder compreendê-las, deve-se analisar que, antigamente, os construtores antigos viam a casa como a fundamental proteção do homem. Para entender essas moradias antigas, é essencial entender, primeiramente, as circunstâncias em que as mesmas foram construídas no passado. No período colonial as ruas e casas eram desalinhadas e não haviam as edificações administrativas. A época foi marcada por uma urbanização lenta e insipiente.

O diretor do Paço Municipal, Leonardo Novellino, relata que, pelo tipo de arquitetura em que as residências foram construídas, elas representam um valor arqueológico para Manaus.

“O tipo de arquitetura é de transição, esse que é o valor dela. De repente, vemos a construção como nós conhecemos de uma casa né? Então ela [residência] também é um testemunho de um tipo de arquitetura que era utilizada antigamente. E depois passa por outro tipo de arquitetura, então é um valor arqueológico também. Porque a arqueologia é a ciência que trata das coisas materiais que as civilizações do passado nos legaram. Então ela é um material arqueológico”, conta Novellino.

Uma das características da arquitetura do período colonial dentro das residências é nítida. Pelas paredes, os contornos da construção são percebidos. Quem olha, pensa: “é muito torto”. Explica-se: é apenas algo construído sem um apoio. Os considerados “erros” da construção, seguem mantidos para conservar a marca do que era.

“A forma de construir, ela é muito antiga. Certamente ela é do período colonial e resistiu às transformações urbanísticas que vieram acontecendo. O período da colônia, do império, da república até o século 21. Então ela permanece como um elemento arqueológico e que faz refletir as diversas mudanças no panorama urbanístico da cidade”, completa Novellino.

A construção das residências foi definida pela arquiteta Ana Lúcia como “vernacular”, que se refere às construções que utilizam materiais locais, técnicas tradicionais, tipologias regionais e adequadas ao ambiente. Como utilizaram taipa, se enquadra nesta forma de arquitetura ao se integrar ao ambiente. Usam materiais orgânicos e, principalmente, por ter resistido ao teste do tempo, é considerada sustentável. O mistério fica: quem foi a família pioneira no local?

“A casa é uma arquitetura anônima, chamada arquitetura do cotidiano. Ela não é um monumento público. O monumento público ele tem uma história porque ele é público e porque pessoas ilustres, da sociedade estiveram ali. Isso aqui era uma casa de moradores anônimos, auto-construídos. E por isso ela ficou aqui preservada. A casa conta pra gente a sua história, a época que ela foi feita, mas não sabemos quem a fez”, explica a arquiteta.

As residências da Rua Bernardo Ramos simbolizam ícones arquitetônicos do período colonial. São valores ali representados e conservados. Além da paisagem urbanística da cidade, em um Centro histórico, as casas são como uma joia. O Centro da capital Amazonense é uma grande estrutura da joalheira. Representado por cada monumento, residência ou prédio, sendo um marco zero na cidade.

Histórico e relatos das residências

A residência de número 69 possui 137,86 m², e já funcionou como um escritório de contabilidade, há mais de dez anos, quando foi desapropriada pela Prefeitura por conta do valor histórico da casa.

Ao entrar no local, é possível se deparar com a porta larga, uma característica que representa as antigas casas do Centro de Manaus. Logo, uma sala social. Era comum naquela época as janelas da sala possuírem visão para a rua, os moradores costumavam ficar nas janelas das suas residências confraternizando. Era um momento tradicional daquele tempo.

A casa de número 77, é de esquina com um beco, o José Casemiro, e possui cerca de 151,24m². O local já funcionou até como um comércio. Ao entrar na residência é possível analisar a grandeza que é o salão de entrada. Quem fica no bem no centro do local, verifica os detalhes de cima a baixo. A sensação é única – outra viagem no tempo.

“Aqui é a história dos moradores anônimos que moravam. Essa rua era residencial. De um bairro bem antigo, um dos primeiros, chamado São Vicente de Fora. A casa 77 tinha um comércio também quando eu a conheci. O fato de estar ao fim da rua, e ser uma residência de uma família simples que sempre morou aqui, isso fez com que essa casa se preservasse”, diz Ana Lúcia Abrahim.

Restauração e adaptação

Atualmente, o local passa por uma fase de restauração. A Prefeitura da cidade é atual responsável pela moradia. A previsão de entrega da obra é no dia do aniversário de Manaus, 24 de outubro.

Conforme José Cardoso, vice-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), após o fim da restauração no local, o local deve voltar a funcionar como área comercial.

“Com o intuito de ressignificar o Centro, elas vão ser entregues para a cidade com todos os equipamentos culturais. A casa de esquina vai ser um bistrô, vai ter música autoral de Manaus, música de ‘beiradão’ e a outra vai ser uma loja de artesanato, focando muito na etnia indígena”, ressalta Cardoso.

As moradias ficaram cerca de dez anos fechadas. Três empresas chegaram a desistir de participar da reforma das mesmas. Logo, a Prefeitura recuperou a obra com fundos do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultura (Funpatri), como era na época.

A arquiteta Ana Lúcia conta que a reforma está em fase de acabamento e já recebeu pintura, adaptação para funcionar como estabelecimento comercial e acessibilidade.

“Nós percebemos que, é um detalhe, cada cômodo tem uma altura e a lei da acessibilidade? Então foi feito outro projeto de acessibilidade. Por isso possui agora as rampas, coisas assim, que ficaram até boas. Elas existem por conta da lei da acessibilidade, nós fomos adaptando o projeto”, finaliza Ana Lúcia.

Fonte: G1

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