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Casa Biblioteca

Charutos e estrelas em uma ode à exuberância da natureza em casa de vidro, no interior de São Paulo


Por: Ricardo Gaioso

O ruído não nos deixa confundir. Pássaros, a brisa que sopra e balança as folhas, galhos secos. Estamos em meio à mata atlântica. Basta fecharmos os olhos para que os sentidos ganhem um tom de estímulos, sobretudo o olfato – uma mistura de orvalho da manhã e frutos secos com terra molhada. Contemplar a exuberância da natureza brasileira é deliciosa missão destes trópicos. Uma espécie de notoriedade ritmada pela Bossa Nova dos anos 50, em perfeita batida com a arquitetura modernista da época. A imagem das casas espaçosas, que, ao invés de disputarem espaço, parecem ter florescido geminadas à vegetação, desenha o perfeito estilo de vida do Rio de Janeiro de outrora. Vêm à mente, quase que instantaneamente, os varandões de Lota Macedo Soares, ao pé da Pedra da Gávea, os botequins de Copacabana, com guardanapos amassados e garranchos com letra de música. Célebres canções hoje verdadeiros documentos históricos do patrimônio nacional, proferidos pelos figurões da engenharia social da República Federativa do Brasil, como Antonio Carlos Jobim, o Tom, e seu fiel comparsa, Vinícius de Moraes.

 

Viajando no tempo como um meteoro, mas ainda conservando os mesmos valores, estamos na Casa Biblioteca. Refúgio-homenagem à coleção de livros que o proprietário, um professor doutor em Filosofia, consumou para “habitar” a floresta, sem restringi-la, durante seus trajetos entre São Paulo, sua residência principal, e Campinas, onde leciona. O pedido era simples. Um terraço para observar as estrelas e fumar um charuto. O <briefing> acabou por definir o ponto de partida da planta, escalado como prioridade desde a chegada na casa. A entrada desliza sobre o mesmo nível da laje, que comporta o espelho d’água, uma alternativa visual e ainda segura para substituir o tradicional guarda-corpo. Nos andares inferiores, uma morada sem paredes, protegida ao longo de 360 graus apenas por extensos paineis de vidro sustentados por um mosaico de ferro cru estrutura o pé-direito em escala monumental. Aqui, a luz natural em abundância garante o enredo ao longo dos diferentes momentos do dia e parece ritmar as atividades pensadas para cada cômodo da planta baixa, feito uma hierarquia de comportamento entre o homem e o meio em que vive. Uma conversa entre o passado, como antigamente nos dias de fazenda, e o presente, apropriando-se de um novo pensar da arquitetura contemporânea.

 

Um grande bloco de concreto aparente cuja dimensão espacial decupa os ambientes tradicionais de uma residência, distribuídos em 200 metros quadrados e três diferentes níveis, sem abrir mão da comunicação entre si, e, ao mesmo tempo, guardando certa privacidade por meio das invertidas proporções de elevação. Além de reprogramar a diagramação das atividades domésticas do casal, a planta surge, também, como uma solução à topografia íngreme do terreno, cujo desnível atinge a marca de seis metros de altura, e flutua sobre o declive acidentado da região de Vinhedo, no interior de São Paulo. Para puristas arquitetônicos, uma interessante pesquisa antropológica em torno do tema comportamento vs. espaço, quando funções pré-estabelecidas para áreas específicas da casa – comer na sala de jantar, trabalhar no escritório, por exemplo – ganham tom cada vez mais extenuante, seja pela função móvel da tecnologia e o impacto disso na interatividade social ou pela desvalorização dos rituais pragmáticos nas grandes cidades.

 

Enquanto a arquitetura se encarrega de ecoar a exuberância do entorno, é na diagramação interior onde KAZA propõe uma imersão no modernismo brasileiro <in loco>. Peças de Oscar Niemeyer, Zanini de Zanine, Jorge Zalszupin e Lina Bo Bardi, ajudam, em uníssono, a afinar a orquestra desta casa de vidro, uma homenagem em vida de uma geração influenciada pela história, dos livros e de si própria, eternizada pelo belo e traduzida muito além de qualquer idioma.

 

A assinatura do croqui da Casa Bibilioteca fica a cargo do Atelier Branco. Firma de arquitetura formada por dois jovens profissionais estrangeiros, o espanhol Pep Pons em sociedade com o italiano Matteo Arnone, radicados há XX anos no país. Egressa da Accademia Archittetura Mendrisio, na Suíça, a dupla desenvolve atualmente uma série de projetos em diferentes escalas e programas, entre o estalo de São Paulo e a região do Nordeste.

 

“Uma casa só possível no Brasil, onde a natureza envolta é, em grande parte, a razão de ela existir.”


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