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DECORAÇÃO

Artigos de estilo

Num dos cartões-postais da arquitetura paulistana com assinatura de Artigas, o novo apartamento dos estetas Eduardo Machado e Wair de Paula, donos do Gabinete e da Etiqueta D, traduz a poética da coletividade ao vivo e em cores


Por: Cynthia Garcia

Tendo morado no Parque das Hortênsias, prédio exuberante dos anos 50 de Artacho Jurado na Avenida Angélica, em Higienópolis, o arquiteto Wair de Paula e o marchand Eduardo Machado, à frente do Gabinete e da Etiqueta D, sonhavam voltar ao aprazível bairro paulistano. “Namorávamos o Louveira, eis que um domingo vimos uma placa de aluga-se”, conta Wair. Era o ateliê do artista plástico Walmor Corrêa (que participou na 26ª Bienal de São Paulo) e como ocorre nas conspirações a favor no universo, amigo de um conhecido do casal. Em setembro de 2014, a dupla se instalou no térreo de 144 metros quadrados de piso em parquet e planta original com três dormitórios do revolucionário projeto de 1946 de Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, o ex-aluno com quem o mestre realizaria obras como a FAU-USP, em 1961. “O Louveira tem grandes qualidades. Seus ‘defeitos’ vêm do fato de ser da década de 40. Estou feliz da vida”, revela Eduardo, íntimo do novo personagem de seu cotidiano.

Na mudança dos 220 metros quadrados da cobertura no Morumbi ao ícone tombado em 1992 pelo Condephaat, a dupla de colecionadores contumazes foi obrigada a eleger a fina flor de seu acervo. Além de peças como o par de poltronas Art Déco de Jean-Michel Frank e a cadeira em jacarandá de Tenreiro, outros eleitos foram o sofá de Le Corbusier da série Grand Confort, desenvolvida a partir de 1928; a cadeira Red and Blue (1917) de Rietveld; a luminária de mesa Pipistrello (1966) de Gae Aulenti; a mesa Tulipa (1958) de Saarinen (com tampo de madeira encomendado especialmente para o prédio da Manchete na Praia do Flamengo, no Rio, de onde veio); a lounge chair com ottoman (1956) do casal Eames; o conjunto de seis cadeiras Wishbone (1949) do dinamarquês Hans Wegner; e o pendente Sputnik da Stilnovo, nome da iluminação do pós-guerra italiano, fundada no ano em que o Louveira viu sua inauguração na Praça Vilaboim.

Quatro segredos: o prédio dividido em dois blocos tem um pátio com uma louveira, árvore nativa em extinção que pode atingir até dez metros de altura. O afresco da entrada social, assinado pelo grande paisagista Francisco Rebolo (1902-1980) a convite de Artigas, retrata a época em que a região, concedida aos jesuítas em 1561, passou a se chamar Sesmaria do Pacaembu. O responsável pelo empreendimento foi o intelectual modernista, fundador da Escola de Arte Dramática (EAD), Alfredo Mesquita (1907-1986), filho do patriarca Julio Mesquita do jornal O Estado de S. Paulo, nos tempos em que quatrocentão não se metia com “gente de teatro”, principalmente “um solteirão grã-fino”, amante das artes…

O último é um dos muitos e-mails que Allex Colontonio e eu trocamos sobre esta edição. Gostaria de compartilhar com nossos leitores o insight do nosso jovem e grande editor: “Aprendo diariamente com Eduardo e Wair, dois dos estetas mais autênticos que conheci, absolutamente ‘enciclopédicos’ na teoria e na prática – seja para compartilhar uma receita de risoto, seja acerca dos impropérios do Planalto, seja sobre a aposta em um fotógrafo estreante. Seu gosto para o décor está muito além da superfície, passa pela história, legitimidade, afeto e pelo contexto de narrativa de cada peça. O apuro de ambos para as artes, o mecenato que corre em suas veias, a aposta em jovens artistas ou ao (re)valorizar talentos veteranos em tempos de tantos equívocos plásticos, fazem deles uma fonte inesgotável de pesquisa tanto para mim quanto para a KAZA que represento. Ao transplantar seu lifestyle para o novo apartamento no Edifício Louveira, Eduardo e Wair estabelecem uma nova relação entre o tempo e o espaço – o deles, o nosso e o do Artigas –, propondo a conexão das cores primárias do invólucro com um exercício cromático ainda mais vibrante da porta para dentro. Da janela de sua cozinha a enorme árvore, que empresta nome ao prédio com sua copa entrecortada pelos fios amarelos das passarelas de uso compartilhado por onde transitam tantas biografias, mostra que a poesia da arquitetura reside mesmo é na coletividade”, finaliza o jornalista.


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