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DECORAÇÃO

Minha vida em Azul Klein

Linda, loira, batalhadora, real e louca pelo matiz de azul que traz em seu sobrenome, Camila Klein, enfant terrible entre as poderosas do décor nacional, xibe o new look da sua toca paulistana especialmente para KAZA Por Allex Colontonio Fotos


Por: Allex Colontonio

Foi o mar de sua Nice natal, na Côte D’Azur, que inspirou o controverso artista francês Yves Klein. No final dos anos 1950, suas pinturas monocromáticas focaram quase que exclusivamente uma tonalidade intensa de marinho que acabou sendo batizada de Klein Blue – e que seria explorada à exaustão pela indústria da moda e do design nas décadas seguintes. Bem longe da Riviera Francesa e sem nenhum parentesco com o pintor que é considerado um dos precursores da arte minimalista, Camila Klein nasceu na provinciana São Sebastião do Caí, na Serra Gaúcha, no começo dos anos 1980, quando a chamada Geração Coca-Cola ecoava o rock and roll made in Planalto Central para bradar suas reivindicações sociais, e a decoração classe A no Brasil ainda era monopólio de uma dúzia de profissionais confinados no eixo Rio-Sampa.

De lá para cá o mercado cresceu, apareceu e transbordou para todas as capitais. A tecnologia globalizou a casa brasileira e a menina simples do interior, que conquistou o canudo de arquitetura e urbanismo na raça (ela pagava a faculdade trabalhando em jornadas duplas que incluíam passar a limpo, no Autocad, as plantas dos arquitetos que ainda rabiscavam em papel vegetal), veio tentar a sorte em São Paulo com a cara, a coragem e um par de olhos brilhantes um pouco mais escuros do que os pintados por seu homônimo francês.

A duras penas (“fiz um teste em que deveria prescrever todo o detalhamento de uma escada helicoidal de uma obra com shape circular”), conquistou uma vaga na equipe de Ruy Ohtake, a quem chama de “mestre” e com quem trabalhou durante dois anos, até receber o convite de uma incorporadora para projetar decorados das Minas Gerais ao Amazonas. Era a gênese de uma ascensão meteórica que culminou com estúdio próprio e portfólio sui generis, que hoje inclui aviões, barcos, espaços corporativos, projetos residenciais, quadro com dicas de design em programa de televisão e destaque nas principais revistas e mostras de décor do País, incluindo Casa Cor e Black.

Quem conheceu a moça com rostinho – e altura – de top model que não descia do salto nem durante os longos trajetos de ônibus, sabe: a simpatia, a humildade e o carisma passaram incorruptíveis pelos deslumbres. Camila é mulher real, pé no chão, batalhadora, linda e natural – aos 35 anos, mãe de primeira viagem, nunca fez uma intervenção estética sequer e resolve tudo “organicamente”, com alimentação controlada, pegando pesado na academia e fazendo do trabalho seu principal esporte. KAZA invadiu a morada da arquiteta, apê de respeito em bairro nobre paulistano, no exato momento em que ela se preparava para entregar duas mostras – entre outros tantos projetos regulares que saltam mensalmente de suas pranchetas. “Me entrego demais e já nem conheço mais os limites entre a pessoa física e a jurídica. Sou tão viciada em trabalho que preciso me policiar para não faltar com a minha família, que é tudo para mim. De vez em quando bate uma culpa, e é hora de voltar correndo para cá, meu porto seguro”, diz referindo- se ao marido, Ricardo, com quem vive há seis anos, e a filhota Betina, um ano. Por lá, no topo de um arranha-céu vertiginoso, sob bases claras e muito bem iluminadas, uma imensa área social emenda living, sala de jantar, home theater e varandão panorâmico com mesa de café da manhã e cantinho de leitura, onde costuma se recolher de cuia (literalmente) para bebericar o chimarrão e manter- -se conectada às raízes gaúchas.

“O social é o ponto nevrálgico da casa porque o Ricardo tem dois filhos do casamento anterior, um de 18 anos, outro de 10, que praticamente são meus filhos também. E os amigos deles são muito bem-vindos. Gostamos muito dessa convivência em família”, conta. Talvez herança da mãe, professora, que sempre gostou de manter a prole sob proteção das asas. Seguindo as lições de Yves Klein, o azul é o ponto de cor mais presente no décor. Passeia por obras de arte como a fotografia gigante do mar clicada pelo alemão Bernhard Quade, da Galeria Chroma, e abraça peças que são objetos de desejo do design contemporâneo, como a chaise Antibodi, de Patricia Urquiola, a poltrona D153, de Gio Ponti e o vaso da manufatura italiana Fornasetti, em contraste com acessórios tão excêntricos que vão do garden seat óptico de Fabrizio Rollo (em azul e branco, é claro), às cadeiras de Jean Marie Massaud e muranos que brincam com matizes do céu ao ácqua. Enfim, tudo da cor do mar e do astral de Camila.


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