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DECORAÇÃO

Reserva cultural

Espetacular acervo com foco na produção brasileira e pan-americana é o grande luxo dessa cobertura carioca planejada como suporte de arte e de vida pelo arquiteto Ivan Rezende


Por: Allex Colontonio

O móbile que abre esta matéria é muito mais do que um mensageiro dos ventos. É o indicativo de que, por aqui, eles sopram no modus operandi “viver com arte”. Com pedigree do genial escultor norte-americano Alexander Calder (1898-1976), o mesmo que teve uma de suas obras arrematadas por prosaicos R$ 18 milhões na edição 2013 da feira ArtRio, o penduricalho vermelho é a ponta do iceberg de uma coleção sem cara de “não me toque”, visivelmente evolutiva, work in progress, disposta de forma a interagir com o entorno muito além da mera contemplação. “Você pode tocar boa parte dos trabalhos”, diz o responsável pelo cenário: Ivan Rezende, nome estelar da arquitetura carioca, 37 anos de carreira e dezenas de obras vultosas no portfólio, que encarou o desafio de propor “um suporte de arte e de vida”, nas suas palavras, para os moradores da cobertura de 450 metros quadrados em Ipanema, Rio de Janeiro. Paredes abaixo, bases clareadas, espaços redimensionados, fez-se a luz.

encarnação atual do apê resulta de duas coberturas dúplex convertidas em residência única, para, além de dar conforto à família, abrigar o impressionante acervo em plano de expansão – até o fechamento desta edição contavam- -se cerca de 100 peças de arte, 90% brasileiras (entre modernos, contemporâneos, abstratos, concretos e figurativos). A outra porcentagem concentra artistas pan-americanos em geral. A expo-privée abrange Mira Schendel, Lygia Clark, Antonio Dias, Iran do Espírito Santo, Ivan Serpa, Waltercio Caldas, Sérgio de Camargo, Frans Krajcberg, Volpi, Segall e dezenas mais, ao alcance dos olhos e das mãos. “Tratar todo o espaço como receptáculo para as artes plásticas foi uma das premissas mais importantes. A escolha dos materiais foi bastante criteriosa, para que nada pontuasse muito no ambiente e sim formasse um pano de fundo para a coleção. Todas as paredes são brancas e o piso é em mármore travertino turco”, conta o arquiteto que na juventude fez doutorado na Espanha e voltou para casa anos depois “na carona de um navio cargueiro.” Era a transição dos anos 1970 para os 1980, pós-ditadura, e Rezende, recém-formado aos 20 e poucos anos e sem grandes oportunidades de emprego por aqui, foi ganhar o mundo. Que bom que ele voltou.

Melhor ainda que, no regresso, logo rasgou o crachá do Banco Nacional da Habitação que conseguiu para se dedicar à arquitetura de autor. Fã do “pensamento de leveza” de Niemeyer, mas adepto das linhas sem esquinas de Artigas e Mendes da Rocha, além de ter sido amigo pessoal do grande Sergio Rodrigues, Ivan mostra muito de seu purismo nesse apartamento. O rigor da marcenaria impecavelmente executada – toda desenhada por ele, é claro –, o banco Bandeirola, de sua autoria (vencedor do Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira), o mobiliário bem editado de Rodrigues e Tenreiro, e as paredes brancas “flutuantes” que não tocam o chão e nem o teto, porque não encontram sancas e nem rodapés (eles foram embutidos), compõem uma tela quase monástica para receber a catarse plástica, organizada com bossa e expertise.

Os moradores são pessoas extremamente ligadas às questões ambientais e a casa é totalmente sustentável no que tange ao aproveitamento máximo de iluminação e ventilação naturais, além dos processos de contenção e de reúso. “O convívio cotidiano com a arte foi a grande diretriz dessa obra, mas era importante que não ficasse com cara de galeria. Na área da cobertura concentramos o lazer, com espaço gourmet e piscina com spa. Para dar mais privacidade à família, planejamos alguns brises em áreas estratégicas para ofuscar a visão exterior. E o Amilcar de Castro na piscina, por exemplo, traduz bem esse conceito”, finaliza sobre esse mirante plástico cujo terraço descortina a Lagoa Rodrigo de Freitas. Benditos sejam os navios cargueiros da pós-ditadura.


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